adeus
Eu não pude dormir com o teu efeito em mim. Eu lembrava como se tivesse assistido... tuas mãos doces e quase firmes, me prendendo como se eu fosse fugir. Às 2 da manhã eu ainda podia sentir as marcas da tua barba no meu rosto e podia ouvir suas palavras, em tom de acusação, dizendo que fui eu que provoquei. Talvez eu não tenha sido clara e você não tenha percebido que constrangida eu queria desistir. Saí de perto quando você tocou no assunto, porque pra mim a noite anterior tinha sido real demais. Eu podia lidar com aquilo na dimensão do sonho, à distância, mas o toque mostrou que tínhamos ido longe demais, pra longe de onde eu queria estar. Eu não te olhava nos olhos porque não conseguia, tive medo que eles mostrassem mais do que eu queria dizer, assim como minhas palavras enganam, dizem que eu sei mais do que sei, dizem que eu sou mais do que sou. Não sei o que você pensa sobre tudo isso e o seu silêncio é tão vazio quanto o meu “não, não posso fazer isso”. Eu cedi de raiva por ter sobre mim toda a culpa, já que você, homem feito, não teve coragem de assumir. Eu cedi porque achei que você precisava de um susto, um peso na sua consciência. Eu cedi porque você pensou muito rápido e se arriscou... merecia algum prêmio. Eu cedi porque talvez fosse aquela a nossa última chance. A gente sabe que o que a gente sente não é de verdade, nem poderia ser. A gente sabe que talvez não possamos mais nos olhar, nem conversar com a mesma cumplicidade os assuntos que sempre discutimos. A gente sabia naqueles 3 minutos que não poderíamos mais brincar dali por diante. A gente precisava acabar com aquela tensão, mas talvez tenhamos criado uma pior. Nós sabemos que não poderíamos ser, um para o outro, aquilo que sabemos merecer. Nós sabemos que isso não é só capricho, não é só loucura, mas que estamos atrasados... nos cruzamos tarde demais. Eu queria me inundar de você até o meu corpo e a minha mente enjoarem, até me saturar, pra ver se eu esqueço de vez isso que não é desejo, que não é nada, mas que dói tanto e me prende tanto. Eu quero sim me livrar de você e dizer e ouvir de uma só vez tudo aquilo que faz esse bolo nas nossas gargantas, mas sei que nos esqueceríamos de todas as palavras e de todas as promessas, não saberíamos dizer não se nos víssemos novamente e nos perderíamos um nos braços do outro... e é por isso que ficou esse vazio, porque na nossa despedida faltou um abraço.
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, publicidade, evangélica
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